Fissuras na Matemática:
políticas de fomento e disputas por gênero, raça e pertencimento
DOI:
https://doi.org/10.14244/aond.v5i1.115Resumo
A matemática, frequentemente apresentada como neutra, abstrata e universal, opera historicamente como um campo de produção de hierarquias de gênero, raça, classe, sexualidade e capacidade. No Brasil, iniciativas públicas têm buscado enfrentar essas desigualdades por meio de editais de fomento voltados à participação de meninas nas ciências ditas exatas. Este artigo analisa projetos financiados pelo CNPq e pela FAPERJ entre 2013 e 2024, examinando estratégias, desafios e impactos, e articulando essa análise com referenciais feministas interseccionais e da educação matemática crítica, ampliando uma pesquisa inicial realizada em um Trabalho de Conclusão de Curso. Argumenta-se que tais projetos funcionam como fissuras em um campo historicamente masculino, branco e eurocêntrico, mas ainda enfrentam precarização, guetização institucional e limites estruturais. Conclui-se que a equidade na educação matemática demanda políticas públicas contínuas e currículos comprometidos com gênero, raça e classe como categorias centrais e não periféricas.
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